Há dias a pivot do serviço noticioso de um canal americano recusou-se a abrir a edição do dia com a notícia da libertação de Paris Hilton porque achou que havia notícias mais importantes para dar. E, quando obrigada pela direcção do canal a faze-lo, resolveu, num acto de afirmação pessoal corajoso, rasgar a notícia em directo. Em miúdo sempre idolatrei o mítico Tarzan Taborda por rasgar listas telefónicas com as mãos. Nunca esperei vir a admirar alguém por rasgar uma simples folha de papel. Mas aconteceu.
Como eu compreendo esta mulher. Não há pachorra para as Paris Hilton deste mundo. Ou porque saem sem cuecas, ou porque são apanhadas a conduzir com álcool suficiente para deixar a ressonar dez escoceses, ou porque resolvem dormir com todos os habitantes do Senegal numa única noite, estas socialights vivem de notícias escabrosas que fazem questão de passar para os jornais.
Paris Hilton esteve presa menos de um mês por conduzir embriagada. Se fosse um John qualquer da vida ficava preso o dobro do tempo, pagava multa e ninguém queria saber. Mas Paris teve direito a tratamento VIP. A sua história foi contada milhares de vezes e não me espanta que acabe num livro com o conseqüente filme. Se tal acontecer faço questão de comprar um volume e um bilhete para o filme e rasgo-os. Imito assim os meus heróis enquanto protesto contra as desmioladas deste mundo. Só não prometo rasgar o livro duma vez. Tarzan, em Portugal, só houve um. O Taborda mais nenhum.










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Hugo Simões
Wed 06 Feb 2008 12:26