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Sou um ecologista, embora o meu individualismo, a minha aversão a ordens superiores e as minhas alergias, não me permitam que me junte a grupos e organizações. Actuo sozinho. Sou um ambientalista solitário que no calor da noite, disfarçado com uma t-shirt e uns calções, e sem alarido, faço as minhas acções para ajudar a melhorar o mundo em que vivemos. E gosto de realmente fazer qualquer coisa. Por isso, regra geral, fico contente quando vejo alguém a agir. E o Movimento Verde Eufémia resolveu agir. Só que não agiu contra o Estado, que é quem autoriza a razão do seu protesto e representa o elo forte, mas sim contra um agricultor que ganha a vida com o seu suor, ou seja, o elo fraco. O que coloca o Verde Eufémia na lista dos mais inteligentes e perspicazes movimentos de toda a história. Auguro-lhes uma longa vida se continuarem a importunar os desgraçados e a não enfrentar o poder. Não é corajoso, mas de corajosos estãos os cemitérios cheios.
Já agora, uma sugestão ao Verde Eufémia. E que tal se fossem ajudar a apagar uns fogos?! Penso que é um gesto ecológico realmente eficaz na preservação da natureza e do ambiente e ajudará, com certeza, a gastar o vísivel excesso de energia dos jovens ambientalistas que compõe o movimento. Eu sei que é uma atitude construtiva, mas nem só da destruição pode viver um ecologista. Se é assim aviso já - estou out.
Há dias a pivot do serviço noticioso de um canal americano recusou-se a abrir a edição do dia com a notícia da libertação de Paris Hilton porque achou que havia notícias mais importantes para dar. E, quando obrigada pela direcção do canal a faze-lo, resolveu, num acto de afirmação pessoal corajoso, rasgar a notícia em directo. Em miúdo sempre idolatrei o mítico Tarzan Taborda por rasgar listas telefónicas com as mãos. Nunca esperei vir a admirar alguém por rasgar uma simples folha de papel. Mas aconteceu.
Como eu compreendo esta mulher. Não há pachorra para as Paris Hilton deste mundo. Ou porque saem sem cuecas, ou porque são apanhadas a conduzir com álcool suficiente para deixar a ressonar dez escoceses, ou porque resolvem dormir com todos os habitantes do Senegal numa única noite, estas socialights vivem de notícias escabrosas que fazem questão de passar para os jornais.
Paris Hilton esteve presa menos de um mês por conduzir embriagada. Se fosse um John qualquer da vida ficava preso o dobro do tempo, pagava multa e ninguém queria saber. Mas Paris teve direito a tratamento VIP. A sua história foi contada milhares de vezes e não me espanta que acabe num livro com o conseqüente filme. Se tal acontecer faço questão de comprar um volume e um bilhete para o filme e rasgo-os. Imito assim os meus heróis enquanto protesto contra as desmioladas deste mundo. Só não prometo rasgar o livro duma vez. Tarzan, em Portugal, só houve um. O Taborda mais nenhum.
O governo, que anda muito alegre e saltitante desde a vitória em Lisboa, resolveu usar esse estimulo para inverter o ciclo negativo em que parecia mergulhar. Para isso anunciou, entre outras coisas, incentivos à maternidade. A medida até seria digna de aplauso se não houvesse nela dois pequenos problemas. Primeiro: não vai incentivar nada. Só um louco é que decide ter um filho com base nos nossos abonos de família. O que as mães portuguesas recebem, mesmo com as alterações, dá quanto muito para alimentar um periquito enfezado. Por isso, quem quer ter um filho em Portugal só pode, como cantava a Simone de Oliveira, faze-lo por gosto.
Segundo: As medidas do governo não são sérias e demonstram que o executivo é bipolar, que é um eufemismo simpático e científico para o mais popular “tem dias que parece que é parvo”. Então, mas faz algum sentido incentivar a maternidade por um lado e fechar maternidades por outro? Vamos que estas medidas surtem realmente efeito e há um baby boom. O que fará o governo? Vai fretar charters para as nossas grávidas irem a Badajoz? Pagará metade da factura do táxi que leve uma grávida a Vigo? Compra ambulâncias com turbo para que as mamãs do interior venham a 230 Km hora ter os seus rebentos ao litoral? Claro que não.
Mas, já que estamos em maré de perguntas, convém igualmente indagar, o que faz o maior partido da oposição perante tudo isto? Dorme como um bebé, pois claro.
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